Os relâmpagos luminosos, flashes ou fosfenos — clarões brancos ou coloridos que percebe mesmo com os olhos fechados ou na escuridão — podem ser sinal de uma tração ou de uma rotura da retina. Quando são súbitos, repetidos ou acompanhados de outros sintomas, justificam uma consulta oftalmológica urgente.
O que são os relâmpagos luminosos (fosfenos)?
Os relâmpagos luminosos, também designados fosfenos ou fotopsias, são perceções luminosas que não correspondem a nenhuma fonte de luz externa. Manifestam-se sob a forma de clarões brancos, arcos luminosos ou faíscas, na maioria das vezes na periferia do campo de visão.
Surgem quando a retina é estimulada mecanicamente — por exemplo, quando o corpo vítreo exerce tração sobre ela. A retina interpreta essa estimulação como luz.
Quais são as causas?
- descolamento posterior do vítreo (DPV): é a causa mais frequente. Durante o DPV, o gel vítreo retrai-se e traciona a retina, provocando relâmpagos característicos, frequentemente temporais (do lado da têmpora).
- rotura retiniana: os relâmpagos podem acompanhar uma rotura recente, que pode evoluir para um descolamento.
- descolamento de retina: os relâmpagos podem preceder ou acompanhar um descolamento.
- Enxaqueca oftálmica: os escotomas cintilantes da enxaqueca assemelham-se por vezes aos fosfenos retinianos, mas seguem uma progressão característica em arco e duram 20 a 30 minutos.
Como distinguir os relâmpagos oculares dos relâmpagos de origem neurológica?
Os fosfenos de origem retiniana são geralmente breves (frações de segundo), unilaterais, localizados na periferia e associados a movimentos dos olhos. Podem persistir durante várias semanas no decurso de um DPV em curso.
Os escotomas cintilantes da enxaqueca, por sua vez, duram mais tempo (15 a 30 minutos), evoluem em arco progressivo e podem ser acompanhados de cefaleias. São de origem neurológica e não retiniana.
Quando deve consultar com urgência?
Consulte sem demora se:
- Os relâmpagos são súbitos, frequentes e novos
- São acompanhados de um aumento súbito de moscas volantes
- Um véu escuro surge no seu campo visual
- Tem antecedentes de miopia forte, de traumatismo ou de cirurgia ocular
Estes relâmpagos exigem um exame do fundo de olho urgente com dilatação pupilar para detetar uma eventual rotura retiniana.
Qual o tratamento para os relâmpagos luminosos?
Se o exame revelar uma rotura retiniana, esta será tratada por fotocoagulação laser de urgência para a "soldar" e prevenir a evolução para um descolamento de retina. Se o exame for normal ou revelar apenas um DPV sem complicações, é recomendada uma vigilância frequente nas 4 a 6 semanas seguintes.
Para saber mais
Consulte o artigo completo do Dr. Julien Gozlan: A rotura retiniana: diagnóstico e laser preventivo
Perguntas frequentes
Os relâmpagos luminosos são sempre graves?
Não, nem sempre. Um DPV não complicado provoca relâmpagos passageiros sem perigo imediato. Mas como 10 a 15 % dos DPV se acompanham de uma rotura retiniana, qualquer episódio de relâmpagos súbitos merece um exame do fundo de olho para excluir uma complicação.
Os relâmpagos podem surgir após desporto intenso ou um traumatismo?
Sim. Um choque, um esforço importante ou uma hipotensão súbita podem provocar relâmpagos. Um traumatismo direto do olho também pode causar uma rotura retiniana. Nesse contexto, uma consulta rápida é indispensável.
Os relâmpagos luminosos desaparecem por si próprios?
No caso de um DPV simples, os relâmpagos atenuam-se geralmente ao longo de várias semanas, à medida que o vítreo se estabiliza. Em contrapartida, relâmpagos associados a uma rotura persistente não desaparecem antes do tratamento.
Apresenta estes sintomas?
O Dr. Julien Gozlan responde-lhe em poucos minutos.